Electrotécnicos ’84

Julho 13, 2007

Costa — O que eu fiz nos últimos 20 anos

Filed under: histórias — António Manuel Dias @ 22:51
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Esta é uma pergunta difícil. Penso que não devo relatar factos, porque isso seria apenas preencher um livro, daqueles que são sempre a mesma coisa, e que me desesperava preencher (no final a letra tornava-se ilegível).

Ingressei na Marinha quando todos nós os grumetes. Excepto aqueles que já eram marinheiros (electricistas penso eu na totalidade, excepto o Almeida), o Ribeiro orgulhava-se desse facto, para o Fradique era pretexto para um petisco (qualquer pretexto servia), e eu reagia na minha natural indiferença, ainda meio “zonzo” da recruta (não sabia ainda o que tinha acontecido).

Aqueles que me deixaram melhores recordações foram: O Rodrigues pelo seu tamanho proporcional à candura , o Baptista devido à sua leveza de espírito, o casal Bento (inseparáveis), o Jerónimo com sua veia poética a escrever o livro do grumete de serviço, o Dias todo higth-tech, o Santos sempre excelente em temas linguísticos, o Clementino interessado por mulheres, e de cujo órgão sensível surgiu a sua alcunha, o Correia com quem passei algum tempo embarcado (julgo que nos Açores e na A.Cabral), e o grande Silva que na altura era muito sensível, perfeccionista e trabalhador, e o Almeida todo cheio de problemas de pontualidade.

Todos os outros, penso que 19 no total, também deixaram-me recordações e histórias, a maioria felizes, de um tempo despreocupado e de aprendizagem de uma profissão.

Foi assim que passamos os 2 anos em V.Franca, tempos de juventude e de sonhos. É de notar o empenho de todos nós ao longo do curso porque houve notas muito boas no final (Silvério, Ribeiro e uma boa media que me lembre). No final do 2º ano comecei a ir a casa com mais frequência devido a um maior desafogo financeiro.

Finda a especialização tomei a minha relação com a M. Leonor mais a sério e vivemos juntos alguns anos, ela era professora de história e andava sempre a ser colocada em sítios esquisitos. Finalmente ficou colocada em Alcobaça de uma forma permanente, o que tornou a nossa relação mais difícil.

Terminado este período de preparação, embarquei rumo aos Açores e para além da linha do horizonte.

Gostei da minha permanência nos Açores com o Correia e uma estadia em Hamburgo com o Silvério, quando da recepção da V.Gama. Viajei até África em 1992, e relembrei os meus dias de infância passados na Guiné.

Passei à reserva em 2002 depois de um percurso curto e atribulado, e durante algum tempo encontrei o Batista na Amadora, disse-me que ia para o Brasil…

Foi nessa altura e através dele, que soube que o Ribeiro também tinha passado à reserva, e que tinha ido viver para a Madeira. Espero que esteja feliz com a sua família.

Entretanto terminei a licenciatura em 2003, e já trabalhei em algumas empresas em informática (programação em VB e WEB e alguma administração de sistemas) ou electrónica (marítima e electromedicina) na dita sociedade civil. É diferente: as relações são mais precárias, e a competição é muito forte ao ponto de valer a delação e a mentira. Nesta última o atraso de pagamento dos clientes está a pôr em causa a sua existência (tempos de crise). Contudo não me queixo. Não gosto do ambiente e vou rescindir contrato. Já falei com a minha contabilista com vista a formar uma pequena empresa de consultadoria (todo o trabalho é bem vindo) e já ando à procura de cliente para o start-up.

Há quatro anos conheci a Nilva a minha actual companheira, penso que encontrei a pessoa certa, ela é brasileira descendente de italianos, trabalha como directora comercial numa empresa italiana de produtos alimentares, viajo muito com ela quando posso ou quando estou parado, temos uma vida feliz embora modesta. Ajudo-a na organização do escritório porque ela tem muitos agentes para controlar. Só tem um senão: Massa Canelonnis lasanha, pizzas macarronada de todas as formas e feitios… socorrroooo!!! é demais baaaa!!!

Esta minha participação no blog dos electrotécnicos de 84 resulta de 2 encontros ocasionais com o Silva, no IKEA e na administração central de marinha, onde estou a tratar do processo de passagem à reforma. Falei um bocadinho com ele e parece-me entusiasmado com as suas novas funções ele merece o sucesso pessoal alcançado.

Soube também que houve um jantar comemorativo dos 20 anos, eu não fui porque não conseguiram contactar-me. Sou o eterno incontactável.

No final desejo a todos felicidades acima de tudo estarem bem convosco e com aqueles que vos são próximos, nós estamos a ficar quarentões (alguns com um perfil arredondado como eu) mas penso que contentes com que a vida nos premiou, que eu saiba não há nenhum caso de doença ou aflição maior.

Um abraço gigante para todos deste Costa errante pelo mundo!

Nota: Artigo adicionado pelo Dias, a pedido do autor

Março 19, 2007

Correia – 1986 até aos dias de hoje

Filed under: geral,histórias — correia @ 10:27
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Também conhecido por Calila, alcunha que pensava desaparecer nestas “águas”, ficou mais vinculado na minha pessoa com o passar destes anos. Sim, porque a alcunha tem história mas não vou falar dela até porque acho que outras relativas ao pessoal 84 são bastantes mais engraçadas.

1986 – Foi um mar de rosas até ao estágio no NRP J.Roby. Nessa altura fomos divididos e embarquei juntamente com o Silva, Jerónimo, Clementino e Silvério. Diga-se que nesta altura era uma boa “Barca”. A responsabilidade era zero mas adquiri conhecimentos úteis para o futuro. O único problema era realmente o enjoo, algo de novo para a minha pessoa. Lembro-me perfeitamente que o do Silva era o “sono”, desde que saímos do cais até atracar foi difícil levantá-lo da cama, até para os almoços…

1987 – E quem não passou pela GOAME? O pouco tempo que lá estive aprendi bastante e previ que o futuro não seria assim tão risonho. Foi necessário para conhecer um pouco a burocracia das avarias e qual o procedimento a efectuar a bordo dos navios. Os bons e mais antigos técnicos estavam ali e seria a referência de exemplo a seguir (pensava eu). Mas o futuro logo diria que não era bem assim. Tive que aproveitar as poucas semanas que infelizmente foram muito pouco tempo.

Seguiu-se a indigitação para curso de um mês dos emissores Marconi em Monsanto. Juntamente com o Dias, entre outros, começámos a dar os primeiros passos da prática ETC. Mas o pior estava mesmo para vir, estava na altura de provar tudo aquilo que aprendi. Com ansiedade e muita curiosidade aguardava a minha colocação como técnico responsável a bordo de qualquer navio. Ora, como não me tinha portado mal, era possível que algo de bom me viria a calhar. Aprendi tecnologia do transístor, integrados, microprocessadores, enfim, tecnologia da altura e aquilo que gostava de fazer mas…

– Calila vais embarcar no NRP Pereira d’Eça.

Alguém me informou, porque nunca fui muito de ler as ordens. Não acreditava, corveta velha é que não esperava. Era tudo a válvulas, equipamentos ultrapassados, enfim, tudo do pior. Mas lá estava o “McGuiver” (nova alcunha adquirida a bordo) e nada ficou por resolver.

1989 – Maus tempos me esperavam, o clima forçado e o calor dos equipamentos a bordo, a humidade açoriana e talvez algum stress proporcionou-me uma gripe que passou a tuberculose. Não me sentindo nada bem, não me perdoaram dois meses no Hospital H.M.D.I.C. Tempos difíceis…

Mas nem tudo é mau, seguiram-se dois anos de convalescença em casa dos meus pais, onde acabei por estudar e encantar a minha donzela com quem acabei por casar mais tarde, a Elisabete.

1991 – Foi tempo de mais, já me sentia um civil desvalorizado e um marinheiro inútil, tinha que marear e voltar para os oceanos… Ainda hoje não compreendo como é que regressando à nossa Armada em situação de serviços moderados fui parar ao N.R.P Jacinto Cândido que se preparava para navegar, surgindo daí vários problemas pessoais, os quais não pretendo descrever. Mas com a promoção em atraso aceitei, e sempre eram mais uns cobres. Acabei aqui o meu 1º embarque e, quando surgiu uma oportunidade de concorrer para C.Z.M.N., não hesitei.

1992 – Agora sentia-me em casa, deveria ser ali a B.N.L., melhor a B.N.P (Porto). Todos os dias para casa eram um mimo. Deu para ver que a Marinha não é só os Navios e outras portas se abriram. Conheci várias Capitanias, Delegações Marítimas, Faróis, Portos, Estações Rádionavais e até embarcações que até a altura não conhecia. Por exemplo, NRP “Lio-minho” é um exemplo talvez único na Marinha. Trata-se de uma embarcação com propulsão a jacto de água adaptada para navegar o Rio Minho.

Além do trabalho, que por sinal não era muito, também viajei muito “Cá Dentro”. Desde a Figueira da Foz até Caminha era um “prato” semanal. Foi também por esta altura que se proporcionou o meu casamento com Elisabete. Mudando de Clube e de responsabilidade optámos por comprar um apartamento no Seixal, pois o C.Z.M.N não seria para a eternidade. Foram dois anos bem passados e carreguei energia para aguentar os três seguintes no N.R.P Alvares Cabral.

1995 – Não tendo boas recordações do 1º embarque, foi com receio que entrei nesta nau. Com alguma experiência e com a preciosa companhia do Fradique fomos capazes de levar o “Barco até ao Cais”. Tudo era diferente, as novas tecnologias e as novas políticas foram um entrave mas que depressa ultrapassamos. Foi aqui que mais viajei, passei por Espanha, França, Inglaterra, Itália, Grécia, Turquia, entre outros lugares, foi impecável.

Também nesta data nasceu o meu 1º filho, o Daniel (mais conhecido a bordo pelo “Quarta Feira”: é óbvio que semanalmente asilado a bordo era oportuno esta brincadeira). Com pouco tempo em terra a minha esposa não se adaptou a Lisboa pelo que tivemos de vender o apartamento e voltar a Sever do Vouga.

Ao acabar o 2º embarque nova oportunidade surgiu de concorrer, agora para a Estação Radionaval Almirante Ramos Pereira em Apúlia. Com poucos correntes tudo foi possível.

1998 – Uma vez mais perto de casa era prometido que seria uma boa comissão, e assim foi.

De uma beleza fora de vulgar esta unidade foi aquela que mais gostei. Isolada de ambiente citadino, com jardins internos, piscina, residências e pouco pessoal era propício a um paraíso “naval”. Pena é que esta tenha sido desmantelada e entregue a “ninguém”. Como no C.Z.M.N, visitei os mesmos locais e aqueles que por motivos do serviço de vistorias tinha que me deslocar. Para além de técnico das comunicações também fazia as vistorias às Estações Rádio Operadoras das Embarcações de Pesca, desde Douro a Caminha.

Nasceu o meu 2º filho, o João. Ao mesmo tempo construía a casa lá na Aldeia, aquela onde moro. Passados os três anos já estava indigitado novamente para o N.R.P Alvares Cabral para a 5ª Guarnição. Enquanto aguardava destacamento fui como reforço para C.Z.M.N, enquanto desmantelava a Estação da Apúlia. Nada de novo a não ser cerca de um ano e tal junto da família.

2002 – A 5ª guarnição no N.R.P. A. Cabral já não era uma preocupação, a experiência da 2ª dava-me confiança, seria relembrar o passado. E assim foi, tudo correu calmo e sereno. Das poucas diferenças foram as horas de navegação que foram muito menores, a crise política e económica já era notória. Para meu azar repeti a mesma Nato, no entanto conheci outros lugares dos quais um nunca esquecerei, Sampetersburgo também conhecida por Veneza do Norte, simplesmente espectacular.

Qual seria a próxima unidade? Poucas e remotas hipóteses me restavam de sair para fora de Lisboa. Se não tivesse sido promovido a ajudante era certo o C.Z.M.N, o homem que lá está foi por obrigação. Assim restava-me sorte porque não concorri a lado nenhum.

2005 – E aqui estou na D.I.T.I.C mais propriamente na C.T.A (Central Telefónica do Alfeite), juntamente com o meu amigo Dias. Dentro do possível vou-me habituando a estas novas Tecnologias. Tenho um privilégio de ter um professor veterano nestas Artes, ainda por cima do curso ET 1984.

2007 – Termino com esperança de nos encontrarmos pelo menos um vez por ano, tal com o encontro 28-Março-2007.

Março 18, 2007

Rui Rodrigues-As saudades que eu ja tinha da velha Marinha

Filed under: histórias — lusokiwi @ 9:19
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Antes de comecar a minha historia peco desculpas por nao poder usar acentos nem cedilhas nestas coisas da escrita os ingleses sao muito mais simples que nos, e tambem os erros ortograficos, e que ja a pelo menos uma decada que nao escrevo uma longa novela em Portugues.

A minha historia comeca em 1986 quando eu, o Bento, o Ribeiro Saldanha, o Clementino e Costa acabamos a especialisacao  em Informacoes de Combate.  Depois de um muito breve estagio na GOAME embarquei no NRP Baptista de Andrade, tive sorte nesse embarque, porque o navio tinha a pouco tempo chegado dos Acores e consequentemente acabei por fazer todas as outras missoes (incluindo escolta a uma caravela) mas nunca me calhou os 4 meses da ordem nos Acores.  Os outros Ets eram o meu primo ETA Alves, o ETC Mourato e o ETS Santos, recordo esse embarque com saudades.  A minha estadia a bordo da Baptista de Andrade foi de curta duracao pois o navio entrou em grande reparacao.  Eu fui entao destacado para a Honorio Barreto que por coincidencia tinha chegado dos Acores nesse mesmo dia e assim mais uma vez evitei os 4 meses da ordem.  Foi talvez a comissao que me agradou mais, nao tive tantas avarias, fui ao Canada e os SARS eram mais passados em Terra do que a navegar.  A minha comissao acabou naturalmente em Julho de 1989.  Tambem em Julho de 1989 conheci a minha esposa Toni Stewart agora Toni Rodrigues com quem viria a casar em Dezembro de 1990.  Depois da minha commissao a bordo da Honorio fui destacado para o Planetario onde exerci a guerreira funcao de tecnico de Som  , (se nao me tivessem tirado de la talvez ainda la estivesse hoje) ate Novembro de 1989 aquando da minha ida para a Alemanha para me especialisar em equipamentos das fragatas da classe Vasco da Gama.  Foram bons esses tempos, eu era um rapaz novo, tinha uma namorada que me seguia onde quer que eu fosse e estava no estrangeiro com camaradas que com o passar do tempo ficaram amigos. O Rebola, o Marreiros, e um dos civis tecnico da GOAME nao me lembro o nome.  Quando regressei a Portugal no fim de Dezembro voltei para o Planetario  e a vida sorria.  Entertanto entre viagens a Alemanha e sessoes no Planetario acabei por me casar em Dezembro de 1990 a minha esposa ja gravida.  O meu filho Gabriel agora com 15 anos nasceu em Abril de 1991, eu fui buscar a Alvares Cabral a Alemanha em Maio de 1991 e ficaria embarcado neste navio ate Maio 1993.  A minha filha Marina agora com 13 anos nasceu em Agosto de 1992, eu tive que voar da Madeira para assistir ao nascimento.  A minha comissao na Alvares Cabral teve os seus altos e baixos mas a NATO na America deixou’-me muito boas recordacoes.  Ainda hoje quando vou a Portugal e tenho oportunidade de me encontrar com camaradas como o Sarg. MQ Soares discutimos os nossos encontros com a Policia Americana em Norfolk, etc.   A minha carreira militar acabou em Agosto de 1994 aquela altura estava a prestar servico na oficina de giroelectricos na GOAME. 

O inicio da minha vida civil foi bastante atribulada, viajei para Auckland na Nova Zelandia em Setembro de 1994, parei uma semana em Bangkok na Tailandia.  E tive que passar 12 semanas com a familia da minha esposa pois nao havia muitas propriedades para arendar.  Foram tempos dificeis mas arranjei emprego quase imediatamente com uma empresa chamada Electronic Navigation que e o agente da marca Furuno na Nova Zelandia para a qual trabalhei ate ao principio de 1997, mas nunca fui feliz nesse emprego porque as reparacoes tinham que ser feitas muito rapidamente (a companhia cobrava 120 dolares a hora)  e como tambem davamos assistencia a frota pesqueira as vezes andava atascado em peixe ate aos joelhos para reparar o probe da sonda ou o sensor do net link.  Outras vezes tinha que subir aos mastros dos veleiros 30 metros acima do conves e fazer reparacoes nos tranceivers dos radares la em cima e eu que tenho a fobia das alturas (as coisas que a gente faz) ou comer areia a tentar reparar equipamento com operarios a descacascar o costado a jacto de areia.   O ordenado era bom talvez o dobro to que me pagavam na Marinha tendo em conta o custo de vida, mas tambem senti na pele a discriminacao contra os novos imigrantes, e claro que apanhei as reparacoes que mais ninguem queria.  Acabei por comprar casa e estabelecer-me e finalmente decidi largar a electronica quando fui aceite para ingressar no Bacharelato de Enfermagem.  Foi ouro sobre azul,  a carreira enfermagem veio naturalmente e muito cedo verifiquei que tinha uma queda natural para ciencias de saude.  Quando comecei a trabalhar em hospitais a discriminacao desapareceu e as minhas notas foram sempre acima da media.  O meu Ingles desenvolveu-se naturalmente e acabei o Bacharelato em 1999 acquando do meu registo na ordem dos enfermeiros Neozelandezes.  Tive diversas ofertas de emprego e decidi especialisar-me em saude mental.  Trabalhei numa unidade psychiatrica prisional regional na qual subi rapidamente ao posto de enfermeiro chefe e ao mesmo tempo acabei a licenciatura em saude mental.  Finalmente decidi deixar os hospitais e currentemente trabalho numa equipa que attende a crises na comunidade, trabalho muito de perto com a Policia, com  o Servico de emergencia medica e o servico de emergencia do hospital geral e coordeno admissoes a unidades psiquiatricas.   Finalmente acabei o Mestrado no ano passado e estou a pensar em comecar o doutoramento mas a Toni nao me deixa neste momento.  A Toni  tambem enfermeira psychiatrica  trabalha com pessoas idosas na communidade.  E os meus dois filhos ja frequentam o ensino secundario e nem querem ouvir falar das forcas armadas.  Durante estes anos visitei a Tailandia, a Australia, a Malasia e Singapura.  Mas continuo o sentir saudades do nosso Portugal que tento visitar de tres em tres anos, tambem me tornei  cidadao Neo Zelandes e consequentemente tenho dupla nacionalidade assim como o resto da minha familia .

Esta e a minha historia, nada de especial mas interesante.

Um abraco Rui  

A pedido do camarada Dias aqui vao algumas photos da familia.

                                             

Março 9, 2007

Dias — Por onde andei nos últimos 20 anos

Filed under: geral,histórias — António Manuel Dias @ 11:35
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Neste texto irei tentar resumir o que fiz desde que terminei o curso de ETC, altura em que nos começámos a separar e a ter poucas notícias uns dos outros. Peço desculpa se me enganar nalguns pormenores (e aceito as correcções que queiram fazer, quer por comentários a este artigo quer por qualquer outra via) — é que a minha memória já não é a que era há vinte anos e esses tempos longínquos já não são mais que imagens remotas e embaciadas.

Depois de terminar o curso fui, como todos nós, estagiar para o GOAME, enquanto aguardava navio para cumprir o primeiro embarque. Durante esse período ainda houve tempo para passar umas semanas na Estação Radionaval Cte. Nunes Ribeiro, em Monsanto, em conjunto com alguns camaradas de curso, para uma formação relativa aos emissores em uso naquela estação.

Depois, em Novembro desse ano, 1987, embarquei no NRP João Roby para uma comissão de dois anos, tendo a sorte de ter a companhia de alguns electrotécnicos do nosso curso durante pelo menos parte do tempo, nomeadamente o ETI Ribeiro (agora Saldanha), o ETA Silva e o ETS Almeida. Neste navio, para além das habituais missões SAR, comissões aos Açores e exercícios na nossa costa, tive ainda a sorte de fazer uma viagem de instrução que me levou pela primeira vez para fora de Portugal Continental: Madeira, Açores, Vigo (Espanha) e Bruges (Bélgica).

Em Dezembro de 1989 desembarquei e iniciei uma comissão no Serviço de Cifra do Estado Maior da Armada que foi, até hoje, o melhor tempo que passei na Marinha. Aquela era uma unidade que realmente funcionava, com bons tempos de resposta a qualquer avaria e meios técnicos e logísticos sempre à nossa disposição. Durante essa comissão deu-se a grande revolução da cifra na Armada, tendo sido substituídos vários tipos de equipamentos obsoletos por outros de última geração (a grande maioria ainda em uso), quer nos navios quer nas unidades em Terra. Eu acompanhei esse processo de perto, fazendo instalações em muitos navios — fragatas, corvetas, patrulhas, submarinos — e ainda nas estações radionavais e comandos de zona — Apúlia, Leixões, Sagres, Faro, Horta, Ponta Delgada, Funchal e Porto Santo. Acho que foi durante esta comissão, que terminou em Agosto de 1993, que me tornei um verdadeiro ETC, finalmente com um bom conhecimento de como se processavam as comunicações na marinha :)

Ainda durante esse período terminei o secundário (12º ano), que tinha interrompido quando entrei para a marinha, e saí de casa dos meus pais, indo morar sozinho para um apartamento no Laranjeiro (a cinco minutos, a pé, das saias da mãe — não fui para muito longe…). Para mitigar a solidão, adoptei dois gatos ou melhor, um gato e uma gata. O gato morreu em 2005, mas a gata continua comigo ainda hoje.

Foi também por essa altura que comprei o meu primeiro PC, substituindo o velhinho Sinclair QL, e que comecei a aprofundar o meu interesse por informática, em grande parte por culpa do Coutinho, que estava na altura no ISEL e me convenceu a aprender as linguagens de programação C e C++. Isto viria a ter uma grande importância no meu futuro.

Em Agosto de 1993 embarquei no NRP Baptista de Andrade, um navio que, apesar de pertencer à mesma classe do anterior, era completamente diferente em termos de serviço: os equipamentos de comunicações eram todos novos e, apesar de também terem as suas avarias e mariquices, eram de muito mais fácil manutenção que os do navio anterior. Também a minha experiência e confiança eram maiores, o que teve como resultado que esta comissão de embarque fosse um mar-de-rosas em comparação com a primeira. Na verdade, pouco mais fui que um passageiro ;) Os episódios mais marcantes desta comissão foram a viagem de comemoração dos 500 anos do Tratado de Tordesilhas — Cabo Verde e nordeste brasileiro — e o acompanhamento de um submarino português acidentado deste Inglaterra até Lisboa.

Em Setembro de 1995 deixei por fim a vida do mar (até hoje), tendo sido destacado para o Instituto Hidrográfico. Apesar de ter entrado numa área completamente diferente (sistemas de posicionamento e sondas de profundidade), e talvez por causa da equipa técnica e do clima de inovação que se vivia nessa altura na instituição, gostei do tempo que lá passei e aprendi imenso. Para aprofundar os meus conhecimentos numa gama de sondas tive a oportunidade de tirar um curso em Bremen, na Alemanha, o que foi, sem dúvida, um dos pontos altos da minha estadia no IH. O outro ponto alto foi o desenvolvimento de alguns programas informáticos. Um destes foi um programa de comunicações, desenvolvido em conjunto com o então sargento ETI Guerreiro, do curso anterior ao nosso e que entretanto ingressou na carreira de oficiais. Este programa ainda me granjeou uma certa notoriedade e alguns dissabores na marinha (mania de me meter onde não sou chamado…).

No plano pessoal, foi durante a estadia nesta unidade que comecei a namorar a Sandra, que tinha conhecido quando fiz o 12º ano e com quem vivo em conjunto desde Fevereiro de 1998.

Quando terminei a comissão no IH destaquei para a então 6ª divisão da Direcção de Infraestruturas, para a secção de sistemas de transmissão. Isto aconteceu em Fevereiro de 1999 e entretanto esta divisão saiu da estrutura da DI e juntou-se a uma parte da antiga DAMAG para formar a Direcção de Tecnologias de Informação e Comunicação (DITIC-CE), onde ainda continuo. Apesar de todas as mudanças de nome e de local de trabalho, e de toda a evolução tecnológica e de dimensão que aconteceu nesta área, continuo a desempenhar basicamente o mesmo papel que quando aqui cheguei — manutenção dos sistemas de transmissão digital. Há quem diga, por isso, que já tenho estatuto de dinossauro na DITIC.

Uma das vantagens de prestar serviço nesta direcção são as acções formação que por vezes nos calham. No meu caso, já assisti a formação da Alcatel (nas instalações da DITIC), da Siemens e da ENT (em Portugal) e da Nera (Noruega) e Nokia (Finlândia). Para além do conhecimento técnico que se ganha, o facto de visitar um país que não se conhece também é um dos pontos positivos que tenho tido a sorte de experimentar.

Fora da marinha, e desde 1999, tive também algumas boas experiências. Colaborei num projecto para o INETI (desenvolvimento de uma aplicação para manutenção local de contadores de electricidade de leitura remota) e passei a dedicar uma boa parte do meu tempo a alguns projectos de software livre, um dos meus grandes interesses. A minha vida pessoal também deu uma grande volta — fui viver para a Quinta do Conde, adoptei um cão e uma cadela e, em Dezembro de 2005, uma menina de sete anos, a Vanessa.

E é neste ponto que está a minha vida hoje. O meu local de trabalho é a Central Telefónica do Alfeite, na Base Naval de Lisboa (podem visitar-me quando quiserem, mas telefonem primeiro, não vá eu andar por fora). Quanto à vida pessoal, para os que estiverem interessados, podem ver o nosso sítio na web, nomeadamente o blog, para irem ficando ao corrente das novidades (podem subscrever por RSS).

Agora só me resta ficar à espera das vossas histórias.

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