Era um magnifico domingo de Outubro do ano passado, alguns dias após o meu aniversário.
Na segunda-feira anterior, a Nilva tinha sido convidada para uma convenção da sua empresa a realizar am Madrid, com estadia paga no “NH Passeo del prado” de domingo para segunda, com possibilidade de visitar o “museu Del prado”.
Magnifico domingo que se aproximava !!!
No domingo manhã bem cedo pose-mo-nos a caminho porque ainda são umas boas e cansativas 6 a 7 horas. Tudo parecia correr bem, incluindo o almoço servido por uma mexicana algures numa “bodega” perto de “Talavera de la Reina”.
Chegamos a Madrid “Atocha” por volta da 14h conforme tinha planeado, e a partir dai nada
correu como eu estava á espera….
Pensava como era Domingo que os madrilenos estariam em casa a ver televisão e na petiscada como é hábito em Portugal.
Erro grosseiro : vão todos para o centro da cidade precisamente para o “Passeo del prado” .
Resultado: mais de 3 horas á procura de lugar para estacionar, uma vez que estava tudo ocupado e com filas enormes para visitar o museu .
No meio disto tudo a Nilva servia de navegadora, má decisão minha porque ela tem uma certa dificuldade em ler mapas, e decerto se a deixar no Rossio terá dificuldade em saber como chegar aos Restauradores !…
Quando finalmente encontrei um magnifico lugar em frente ao hotel e estacionei, a minha primeira reacção foi descansar um pouco num banco de jardim pertíssimo do museu.
Quando regressei ao carro para ir buscar as bagagens, o fecho centralizado recusa-va-se a abrir…
Pensei que eram as pilhas , e fui ver se encontrava uma loja aberta para comprar umas. Estava tudo fechado…
Após cerca de 2 horas á procura e depois de muitos “no sé senhor”, lá encontrei um chinês que vendia todo o tipo de tralhas, fui embora convencido que tinha o assunto resolvido.
Engano o meu… O fecho centralizado continuava a recusar-se a abrir…
Como estava á muito tempo de volta do carro, chamei a atenção da policia, eles estão sempre alerta no centro de Madrid por causa do terrorismo.
Depois de tudo explicado, documentos, etc, eles ficaram convencidos do que eu estava a dizer. Começaram a rir e finalmente explicaram que junto a edifícios públicos todos os equipamentos dependentes de radio-frequência não funcionam por causa das bombas da ETA.
Tinha de chamar um reboque afastar o carro cerca de 500m para que o fecho centralizado funcionasse. Foi o que fiz e consegui apanhar o mesmo lugar.
Pensei aliviado : a minha sorte está a mudar…
Entrei no hotel 2 minutos antes das 18h, hora limite a que eles aceitam entradas.
Depois de um magnifico jantar, fomos todos passear e é de notar a vivacidade da espanholada em contraste com a soturnidade dos portugueses, a cidade continuou cheia até as 2 da manhã com muita vida, e com preços muito competitivos em relação a Lisboa .
No dia seguinte a Nilva foi para a tal reunião, eu aproveitei para fazer uns contactos pessoais noutros locais.
Tudo estava resolvido por volta das 15h de segunda e era tempo de regressar.
Tudo correu bem até Almaraz, quando o carro começou a aquecer muito e o alarme disparou . Finalmente percebi que o meu azar continuava…. Como é óbvio accionei o seguro…
Situação : parado algures no meio do nada, a dois passos de uma central nuclear, com a mulher a ter
um ataque de nervos, e como mais tarde descobri junto a um animal morto, que lançava um cheiro nauseabundo e atraia milhares de moscas.
Tinha de escolher entre ficar dentro do carro fechado a sofrer uma canícula infernal, ou enfrentar uma horda de insectos atraidos por um cheiro simplesmente insuportável.
Entre a mulher nervosa e a canícula ou os insectos e o cheiro preferi os últimos 2 !!
Cerca de 1h30m depois, lá apareceu um espanhol com um reboque que nos levou para “Trohio”, mas como já era tarde, o mecânico apenas teve tempo de pediu uma nova bomba de água, tivemos de lá ficar para o outro dia para acabar o serviço.
Entretanto o meu saldo do telemóvel foi-se e a bateria do telemóvel da Nilva acabou…
Tive de percorrer a cidade toda (que por sinal recomendo) para encontrar uma caixa automática e levantar uns trocos e enviar uns emails. Também consegui um local para carregar a bateria do telemóvel.
Quando olhei para o talão do multibanco… È que fiquei a saber em quanto é que já ia a brincadeira….
Passei a noite num hotel com uma arquitectura mourisca espectacular em que o restaurante era na antiga cavalariça…
No dia seguinte lá fui ter com o mecânico. Nada feito, ele enganou-se na avaria.
Mandei o carro para Lisboa de reboque e regressei a Elvas de táxi, isto depois de chamar todos os nomes ao homem…
Lições:
1º Não contar com Madrid vazio ao fim de semana.
2º Nunca mas mesmo nunca em Espanha estacionar junto a um edifício publico, ou a um potencial alvo terrorista tudo o que seja electrónica deixa e funcionar bem.
3º Precaver-se com um saldo bancário bem recheado, e telemóveis bem carregados de saldo e bateria.
4º Nunca mas mesmo nunca por a Nilva a fazer de navegadora.
5º Não confiar nas revisões e inspecções aos carros feitas em Portugal.
6º Ter muita mas mesmo muita paciência…..
7º Não confiar em mecânicos espanhóis.
Esta narrativa já fez rir meio Belo Horizonte estado de Minas Gerais donde a Nilva é originária e meio Paris onde tenho muita família.
Espero que vos tenha divertido e as lições que tirei vos sejam úteis.
Um abraço a todos:
Costa